sábado, 16 de dezembro de 2017

O papagaio explica

E o papagaio explicou Depois que a raposa entrou nos camarins do Congresso Nacional brasileiro e constatou que as inúmeras mascaras dependuradas nas paredes são cheias de estrumeira, gerando sandices, maluquices, burrices, macaquices, que se resumem numa única, moralmente, acachapante expressão - desenfreada corrupção, perguntaram ao papagaio, o único espécimen a continuar falante, porque os demais animais deixaram de falar através das fabulas. A resposta foi esclarecedora e acachapante. O pretendido homo sapiens tupiniquim perdeu a capacidade de assimilar a moral dos contos, que caiem no vazio. De tabela, a animalesca descobriu que, contrariando a teoria evolucionista de Darwin, o sapiens espécimen tupiniquim entrou num processo de involução, em direção a suas origens simiescas, envergonhando, inclusive, o próprio original que anda protestando, dependurado pelo rabo nas árvores das florestas, sendo devastadas sob o fio de terrível motosserra, símbolo da inconsequência dos governantes. Os políticos nem, sequer, se aperceberam que o papagaio continua a tagarelar, imitando o linguajar humano, pretendendo, apenas, fazer rir dos desvarios, levando os atores a se divertirem, inadvertidamente, às gargalhadas. Enquanto isso, o alegre psitaciforme, do alto de seu poleiro, esbalda-se em intermináveis e hilárias cantilenas, ecoando Brasil afora.

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