quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Lendo a mídia

6. Ao ler jornais e revistas, começo sempre, pela sessão Opinião, onde os leitores expressam seus pensamentos sem subterfúgios a serem encobertos com segundas intenções. Divirto-me, até, com casuais divergências, fruto da liberdade de expressão que, ainda, é-lhes permitida. Depois, vou as primeiras páginas para tentar desvendar os mistérios encobertos pelo filtro da malandragem, pintando as manchetes com cores mais ao sabor de desprevenidos leitores. A página Opinião dos Leitores, normalmente, vem ilustrada por hilariante cartum que, até, a bicharada que, antigamente, quando era-lhes permitido falar, mandava seu recado por mio de sábias fábulas, hoje prudentemente calada, se desdobra em homéricas gargalhadas, ao presenciar as fanfarronices, presepadas, palhaçadas, denunciando a involução do homo sapiens, quando empalhado pelo inebriante e ofuscante poder que anula a força da razão, levando-o a rastejar, arrastado pela onda da corrupção cuja fetidez não mais lhe atinge o olfato de narinas entupidas.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Engarrafamento

Mais do que o engarrafamento de carros nas ruas, lamentada pela imprensa, o que mais incomoda Brasília é o engarrafamento político deixado pelos parlamentares e magistrados que, despreocupados, partiram para gozarem de gordas férias engrossadas por dadivoso recesso, deixando um vazio físico–político-moral transbordando problemas, sem previsão de solução, imprevidentemente, brecados por duvidosa reforma previdenciária que promete mil mundos e fundos, sem garantir coisa algum. Desponta 2018 prometendo eleições sanadoras sem, porém, perspectiva de candidatos em quem se possa confiar. Significativa e decisória porção de eleitores, viciados na crendice, encabrestada por vãs promessas de aventureiros, vai definir a sorte do Brasil. O deus invocado como brasileiro, há muito, também, tirou férias, deixando o barco correr, levado por irrefreável corrupção cujo combate não faz parte da agenda do governo que aí está.

domingo, 24 de dezembro de 2017

Zebra

Quando eu era criança, minha mãe dizia: zebra é um bicho branco pintado com listras pretas, enquanto meu pai emendava: é bicho preto pintado com listras brancas. Depois que cresci, meu guru me ensinou que zebra, símbolo dos políticos brasileiros, é bicho de cores indefinidas, que se pinta de mil cores, dependendo das circunstâncias, na tentativa de enganar o povo. Se você vir alguns andando por ai, pintados de preto e branco, devem ser os que, libertados às pressas por Gilmar Mendes, ao saírem correndo, esqueceram de deixa na portaria do xadrez o pijama carcerário. Em tempo, fica liberada a piada para o cartunista de plantão ilustrar a sessão Cartas dos Leitores.

Fala o leitor

Ao ler jornais e revistas, começo sempre, pela sessão Opinião, onde os leitores expressam seus pensamentos sem subterfúgios a serem encobertos com segundas intenções. Divirto-me, até, com casuais divergências, fruto da liberdade de expressão que, ainda, é-lhes permitida. Depois, vou as primeiras páginas para tentar desvendar os mistérios encobertos pelo filtro da malandragem, pintando as manchetes com cores mais ao sabor de desprevenidos leitores. A página Opinião dos Leitores, normalmente, vem ilustrada por hilariante cartum que, até, a bicharada que, antigamente, quando era-lhes permitido falar, mandava seu recado por mio de sábias fábulas, hoje prudentemente calada, se desdobra em homéricas gargalhadas, ao presenciar as fanfarronices, presepadas, palhaçadas, denunciando a involução do homo sapiens, quando empalhado pelo inebriante e ofuscante poder que anula a força da razão, levando-o a rastejar, arrastado pela onda da corrupção cuja fetidez não mais é-lhe sentida.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Pelas cordas do violão

Senso, consenso, bom senso, senso comum são cordas do mesmo violão cuja combinação e sonoridade dependem de quem as dedilha. Na inversão de valores sociais que marca a política, transformada em politicagem, as cordas são embaralhadas, destorcidas, desafinadas por dedos carcomidos pela corrupção, a ponto de não se perceber o som de cada uma que, combinadas, deveriam resultar em prazerosa sinfonia a soar aos ouvidos dos brasileiros, para alívio na dura vida que as circunstâncias lhes impõe a cada dia. Ficariam, assim, na esperança de ouvirem o “gran finale” anunciando a recondução do Brasil ao seu caminho da prometida terra onde, em se plantando tudo dá. Seria o convite para todos se unirem em torno de uma só bandeira, a da ORDEM E PROGRESSO. Quando assim for, brasileiros de todos os cantos haverão de sair de regador na mão para amenizar essa terra com o refrescante bom senso, resultado do consenso, traduzido em senso comum, indicando que o único caminho para a construção de uma nação, só acontece se asfaltado pela moral e pela ética. Isso tornar-se-á realidade quando milhões de consciências individuais se fundirem numa única consciência universal, buscando um único objetivo, o bem comum, despertado na família, passando pelo município, estado e pais, culminando na comunidade mundial.

Dois pensamntos

1. Não seria o controvertido Gilmar Mendes a passar ileso pelo lamaçal de corrupção espalhado por todas as instituições governamentais e não governamentais. Há muito tempo vem se falando, nas entrelinhas da mídia, de seus negócios escusos com relação ao Instituto Brasiliense de Direito Público, de sua propriedade, sustentado com dinheiro do povo, escorregado via Fies (Fundo de Financiamento Estudantil). Finalmente, capa de ISTOÉ (20 de dezembro) vem alertar o Brasil sobre a possível excrescência às custas do dinheiro do contribuinte. Falta, alguém de peito, com coragem, para colocar a questão em pratos limpos enfrentando a proverbial verve de um dos mais falantes ministros do STF, capaz de soltar a manada de corruptos que não se conformam em viver atrás das grades, vendo o Sol nascer quadrado. Certamente, não será entre seus pares que temem sua verborragia e, pelo visto, preferem acobertá-lo sob deletério corporativismo. 2. Judiciário em recesso até fevereiro 2018. Quem de plantação para atender emergências? Gilmar Mendes. São as chaves do galinheiro nas mãos da raposa. Ontem já soltou o Garotinho. Quando o Judiciário retornar, vai encontrar as cadeias vazias de colarinhos brancos. Vai sobrar mais espaço para ladrões de galinhas que não estão na agenda de Gilmar Mendes, improvisado Papai Noel dos privilegiados da sorte.]
Valha-nos o todo poderoso Pan Kum, da multimilenar mitologia chinesa, responsável pelo preenchimento de todo o espaço primordial vazio, com a criação do Universo, para explicar tamanha falta de bom senso. Como pode chegar até o STF um processo, para ser julgado pela suprema corte, depois de mais de trinta anos de tramitação, tratando de relés disputa provocada por uma cerca construída em torno de um prédio no bairro do Cruzeiro Novo em Brasília DF, a mando de zeloso sindico, em defesa da segurança da pequena comunidade? Como se na Suprema Corte não dormissem eteno sono milhares de processos de alto interesse nacional, mofando sem limite de tempo, nos escaninhos de descuidados magistrados da mais alta corte da Justiça que esbanjam precioso tempo, discutindo querelas de somenos importância. E dizer que essa mesma instituição, supostamente, integrada pelas mais altos representantes da sociedade, laureados de mais lídima sabedoria, revestidos por negras e vistosas togas, quiçá, simbolizando a proteção dos deuses, pretende ser tida a vigilante das leis para o cumprimento da Justiça. À suposta sabedoria só falta a virtude do bom senso que soe equilibrar a balança, garantindo a estabilidade de qualquer sociedade inserida no universo criado, seja lá, por qual divindade.