quinta-feira, 1 de setembro de 2016

De múltima hora

De última hora, o incrível acontece. O parágrafo único do Art. 52 da Constituição Federal é cristalino ao vincular a inabilitação, por oito anos, à perda do cargo de Presidente e Vice-Presidente da República e de outros servidores nomeados nos itens I e II. Durante mais de nove meses da tramitação do processo de impeachment da presidente Dilma, tanto os defensores como os opositores defenderam, cada qual com seus argumentos e a seu modo, a observância inquebrantável da Constituição. No frigir dos ovos, nos estertores do processo de impeachment, com a condescendência do presidente da mais alta corte da Justiça, mediante esdrúxulo acordo entre as partes, quebram-se as juras de fidelidade à Carta Magna e a presidente sai com meia vitória com a possiblidade, inclusive, de se candidatar à mesmo cargo, podendo, quem sabe, contar com a mesma condescendência da lei da ficha limpa que ninguém sabe com que roupagem vai aparecer depois de possíveis revisões, à sombra de mais conluios. Pior ainda, a anunciada inapetência dos opositores de irem ao Supremo Tribunal Federal para, no mínimo, tentar remendar o calamitoso estrago com o agravante de que, para tanto, o colegiado terá que contrariar seu presidente que presidiu no Senado o julgamento do impeachment.


domingo, 28 de agosto de 2016

Raposas e lobos

É bom que o povo, que foi às ruas exigir limites à deslavada corrupção que infesta as instituições brasileiras, saiba que não existe, apenas, uma ladina raposa rondando o galinheiro. Existem lobos traiçoeiros travestidos na pele de cordeiro, inclusive com a chave do galinheiro e do  poder nas mãos, tentando livrar os corruptos da cadeia forçando a queima de graves delações, na tentativa de fazer voltar tudo à estaca zero. Além do que foi relado pela reportagem de Veja, envolvendo o ministro Dias Tóffoli, que outras foças ocultas teriam o poder de forçar o, até agora, insuspeito procurador Rodrigo Janot a tomar tal medida, pondo em risco a Operação Lava Jato?     

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Futebol

Definitivamente, o Brasil deixou de ser o pais do futebol, passando a ser a pátria das olimpíadas, pelo menos, até que, quem sabe,  o Japão o desbanque em 2020. Coloco-me entre os 200 milhões de técnicos da seleção brasileira, reservando-me o direito de dar palpite. A seleção só vai melhorar no dia em que deixar de ser a legião estrangeira formada por jogadores vendidos ao exterior, com duas grandes vantagens: vai segurar no Brasil os jogadores que pretendam atuara na seleção, contra os vendilhões dos nossos melhores atletas e; dará ao técnico principal a liberdade de treinar a seleção, durante quatro anos, sem ter que dar satisfação aos dirigentes estrangeiros esmolando a liberação dos jogadores, nas vésperas da Copa. Ponto negativo do atual sistema de formação da seleção: corre o risco de transformar o jogador em mercenário, sem compromisso com o sucesso, colocando em primeiro plano os dividendos financeiros.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Olimpiadas


Ao dizer que ”O colégio eleitoral de 110 milhões de eleitores seria substituído por um colégio eleitoral de 91 senadores”, a afastada presidente Dilma finge desconhecer o sistema de governo ditado por uma democracia sob a égide do sistema republicano. O Povo elege democraticamente o(a)  presidente da República por meio de eleição direta. Ao perceber que foi enganado tendo conduzido à presidência alguém que não vem cumprindo o que prometera na campanha, recorre a seus representantes diretos na Câmara pedindo providências. De acordo com o que prescreve a Constituição, o colegiado formado pelos deputados  autoriza a abertura do processo de impeachment. Os Senadores, como representantes dos Estados Federados, cumpre sua missão constitucional de processar e julgar o(a) presidente, nos crimes de responsabilidade, em sessão presidida e chancelada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal. Tudo de acordo com o que prescreve a Carta Maior que a presidente Dilma jurou respeitar ao receber a facha presidencial.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Notas dez e zero

Nota dez com louvor para Thiago Braz pela medalha de outro no salto de vara e zero para os torcedores brasileiros que, com atitude antiesportiva, vaiaram. estNotasrondosamente, o adversário Lavillenie que com sua ambição e garra de um campeão mundial, nada mais fez senão valorizar a vitória do brasileiro.  “Isso não é digno de um estádio olímpico” definiu o próprio Lavillenie, ao elogiar o feito de Thiago Braz.

 

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Gloria aos atletas

Não há porque o governo se vangloriar pelas suadas e pingadas medalhas, por mais brilhantes que sejam, sendo conquistadas a duras penas pelo Brasil, tendo em visa que pouco ou nada fez para ajudar nossos atletas chegarem lá, a exemplo de um inesperado Tiago Braz que voou para a glória pela sua oculta e ferrenha tenacidade. Ao pretender oferecer ao mundo esplendoroso cenário para as olimpíadas, mais graciosamente oferecido pela exuberante natureza da privilegiada Cidade Maravilhosa, não se preocupou em preparar nossos atletas para usufruírem de tamanha suntuosidade, melhor aproveitada pelos atletas alienígenas.

domingo, 14 de agosto de 2016

Perdão (?)

Aprofundados exegetas descobriram que na língua original em que foram escritos os evangelhos não existe a palavra correspondente a perdoar concluindo que a versão do Pai Nosso em Português é equivocada.
... sobre o “perdoar”, devemos lembrar que, nem no original grego nem na tradução latina do Evangelho, ocorre a palavra “perdoar”. Em grego é “aphíemi”, que quer dizer desligar, soltar, libertar; a tradução latina é “demittere”, que significa demitir, soltar. O sentido profundo é este: o ofendido deve desligar-se do ofensor, ignorá-lo, não tomar nota; não deve sentir-se ofendido. Somente é ofendível o homem ego, ao passo que o homem-Eu é inofendível. O ego ofendível é como água, que é alérgica às impurezas do ambiente e é por ele contaminado. (*)
Além do mais, exigir pedido de perdão implicaria um ato de humilhação por parte do presumido ofensor. Humildade espontânea reconhecendo o erro sem a necessidade do pedido de perdão, é o que vale e importa.
Foi o que aconteceu durante a fatídica noite da paixão de Cristo. Pedro negou Cristo por três vezes. Alertado pelo canto do galo em plena madrugada, arrependeu-se e chorou.  Não lhe passou pela cabeça ir se ajoelhar aos pés do Mestre para pedir perdão. O Mestre, por sua vez o ignorou sem pensar em retratação. Por sinal, nem sequer, o repreendeu, conservando-o, inclusive, na cargo de chefe do Colégio Apostólico.

Inadvertidamente, exegetas ciosos para comprovarem a presença de Pedro em Roma, inventaram a piada atribuindo-lhe uma quarta negação ao Mestre ao fugir da perseguição de Nero. Ao se encontrar com Jesus, na via Ápia, perguntou-lhe: “Quo vadis, Domine?” Sem recrimina-lo, Jesus apenas, respondeu-lhe: “Roman vado iterum crucifigi”, vou a Roma para ser crucificado em seu lugar. Mais uma vez, não consta pedido de desculpa do discípulo. Se fosse possível comprovar seu martírio em Roma, Pedro, humildemente, teria retornado para cumprir sua missão.
Não consta nos evangelhos qualquer passagem em que Jesus mande pedir perdão dos pecados. À pecadora adúltera, Madalena,  ordenou, apenas: “Vai e não peques mais”. O filho pródigo voltou arrependido e foi recebido pelo pai sem pedidos de desculpas. Se, por acaso, for encontrada qualquer referência a respeito, há de se interpretá-la como descuido de tradução.
 Um arrependimento sincero vale por mil pedidos de desculpas formais, com frequência, despidos de sinceridade.

Por muitos anos vigorou a tradução na língua Portuguesa: “Perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos nossos devedores”, levando à esdruxula interpretação de perdão de dívidas materiais. A versão atual é a emenda do soneto com a repetição do mesmo erro. Jesus, certamente, não ´pretendeu falar de tais dívidas, do contrário, seria a canonização da negação dos impostos, tão a gosto dos corruptos, inclusive, do sacramentado dízimo cobrado pelas igrejas.
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(*) In Humberto Rohden, A metafísica do Cristianismo - A alma de Jesus revelada no Pai Nosso. Ed. Martin Claret.
BSB,  05 de agosto de 2016.





Senhor Redator