De última hora, o incrível acontece. O parágrafo único do
Art. 52 da Constituição Federal é cristalino ao vincular a inabilitação, por
oito anos, à perda do cargo de Presidente e Vice-Presidente da República e de
outros servidores nomeados nos itens I e II. Durante mais de nove meses da
tramitação do processo de impeachment da presidente Dilma, tanto os defensores
como os opositores defenderam, cada qual com seus argumentos e a seu modo, a
observância inquebrantável da Constituição. No frigir dos ovos, nos estertores
do processo de impeachment, com a condescendência do presidente da mais alta
corte da Justiça, mediante esdrúxulo acordo entre as partes, quebram-se as
juras de fidelidade à Carta Magna e a presidente sai com meia vitória com a
possiblidade, inclusive, de se candidatar à mesmo cargo, podendo, quem sabe, contar
com a mesma condescendência da lei da ficha limpa que ninguém sabe com que
roupagem vai aparecer depois de possíveis revisões, à sombra de mais conluios.
Pior ainda, a anunciada inapetência dos opositores de irem ao Supremo Tribunal
Federal para, no mínimo, tentar remendar o calamitoso estrago com o agravante
de que, para tanto, o colegiado terá que contrariar seu presidente que presidiu
no Senado o julgamento do impeachment.
quinta-feira, 1 de setembro de 2016
domingo, 28 de agosto de 2016
Raposas e lobos
É bom que o povo, que foi
às ruas exigir limites à deslavada corrupção que infesta as instituições
brasileiras, saiba que não existe, apenas, uma ladina raposa rondando o
galinheiro. Existem lobos traiçoeiros travestidos na pele de cordeiro,
inclusive com a chave do galinheiro e do poder nas mãos, tentando livrar os corruptos
da cadeia forçando a queima de graves delações, na tentativa de fazer voltar
tudo à estaca zero. Além do que foi relado pela reportagem de Veja, envolvendo
o ministro Dias Tóffoli, que outras foças ocultas teriam o poder de forçar o,
até agora, insuspeito procurador Rodrigo Janot a tomar tal medida, pondo em risco
a Operação Lava Jato?
quinta-feira, 25 de agosto de 2016
Futebol
Definitivamente,
o Brasil deixou de ser o pais do futebol, passando a ser a pátria das
olimpíadas, pelo menos, até que, quem sabe,
o Japão o desbanque em 2020. Coloco-me entre os 200 milhões de técnicos
da seleção brasileira, reservando-me o direito de dar palpite. A seleção só vai
melhorar no dia em que deixar de ser a legião estrangeira formada por jogadores
vendidos ao exterior, com duas grandes vantagens: vai segurar no Brasil os jogadores
que pretendam atuara na seleção, contra os vendilhões dos nossos melhores
atletas e; dará ao técnico principal a liberdade de treinar a seleção, durante
quatro anos, sem ter que dar satisfação aos dirigentes estrangeiros esmolando a
liberação dos jogadores, nas vésperas da Copa. Ponto negativo do atual sistema
de formação da seleção: corre o risco de transformar o jogador em mercenário,
sem compromisso com o sucesso, colocando em primeiro plano os dividendos
financeiros.
terça-feira, 23 de agosto de 2016
Olimpiadas
Ao dizer que ”O colégio
eleitoral de 110 milhões de eleitores seria substituído por um colégio eleitoral
de 91 senadores”, a afastada presidente Dilma finge desconhecer o sistema de
governo ditado por uma democracia sob a égide do sistema republicano. O Povo
elege democraticamente o(a) presidente da
República por meio de eleição direta. Ao perceber que foi enganado tendo conduzido
à presidência alguém que não vem cumprindo o que prometera na campanha, recorre
a seus representantes diretos na Câmara pedindo providências. De acordo com o
que prescreve a Constituição, o colegiado formado pelos deputados autoriza a abertura do processo de impeachment.
Os Senadores, como representantes dos Estados Federados, cumpre sua missão constitucional
de processar e julgar o(a) presidente, nos crimes de responsabilidade, em
sessão presidida e chancelada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal. Tudo
de acordo com o que prescreve a Carta Maior que a presidente Dilma jurou
respeitar ao receber a facha presidencial.
quinta-feira, 18 de agosto de 2016
Notas dez e zero
Nota dez com
louvor para Thiago Braz pela medalha de outro no salto de vara e zero para os torcedores
brasileiros que, com atitude antiesportiva, vaiaram. estNotasrondosamente, o
adversário Lavillenie que com sua ambição e garra de um campeão mundial, nada
mais fez senão valorizar a vitória do brasileiro. “Isso não é digno de um estádio olímpico”
definiu o próprio Lavillenie, ao elogiar o feito de Thiago Braz.
terça-feira, 16 de agosto de 2016
Gloria aos atletas
Não há
porque o governo se vangloriar pelas suadas e pingadas medalhas, por mais brilhantes
que sejam, sendo conquistadas a duras penas pelo Brasil, tendo em visa que
pouco ou nada fez para ajudar nossos atletas chegarem lá, a exemplo de um inesperado
Tiago Braz que voou para a glória pela sua oculta e ferrenha tenacidade. Ao
pretender oferecer ao mundo esplendoroso cenário para as olimpíadas, mais
graciosamente oferecido pela exuberante natureza da privilegiada Cidade
Maravilhosa, não se preocupou em preparar nossos atletas para usufruírem de
tamanha suntuosidade, melhor aproveitada pelos atletas alienígenas.
domingo, 14 de agosto de 2016
Perdão (?)
Aprofundados exegetas descobriram que na língua original em que
foram escritos os evangelhos não existe a palavra correspondente a perdoar concluindo
que a versão do Pai Nosso em Português é equivocada.
...
sobre o “perdoar”, devemos lembrar que, nem no original grego nem na tradução
latina do Evangelho, ocorre a palavra “perdoar”. Em grego é “aphíemi”, que quer
dizer desligar, soltar, libertar; a tradução latina é “demittere”, que
significa demitir, soltar. O sentido profundo é este: o ofendido deve
desligar-se do ofensor, ignorá-lo, não tomar nota; não deve sentir-se ofendido.
Somente é ofendível o homem ego, ao passo que o homem-Eu é inofendível. O ego
ofendível é como água, que é alérgica às impurezas do ambiente e é por ele contaminado.
(*)
Além do mais, exigir pedido de perdão implicaria um ato de
humilhação por parte do presumido ofensor. Humildade espontânea reconhecendo o
erro sem a necessidade do pedido de perdão, é o que vale e importa.
Foi o que
aconteceu durante a fatídica noite da paixão de Cristo. Pedro negou Cristo por
três vezes. Alertado pelo canto do galo em plena madrugada, arrependeu-se e
chorou. Não lhe passou pela cabeça ir se
ajoelhar aos pés do Mestre para pedir perdão. O Mestre, por sua vez o ignorou
sem pensar em retratação. Por sinal, nem sequer, o repreendeu, conservando-o,
inclusive, na cargo de chefe do Colégio Apostólico.
Inadvertidamente, exegetas ciosos para comprovarem a
presença de Pedro em Roma, inventaram a piada atribuindo-lhe uma quarta negação
ao Mestre ao fugir da perseguição de Nero. Ao se encontrar com Jesus, na via
Ápia, perguntou-lhe: “Quo vadis, Domine?” Sem recrimina-lo, Jesus apenas,
respondeu-lhe: “Roman vado iterum crucifigi”, vou a Roma para ser crucificado em seu
lugar. Mais uma vez, não consta pedido de desculpa do discípulo. Se fosse possível
comprovar seu martírio em Roma, Pedro, humildemente, teria retornado para cumprir
sua missão.
Não consta
nos evangelhos qualquer passagem em que Jesus mande pedir perdão dos pecados. À
pecadora adúltera, Madalena, ordenou,
apenas: “Vai e não peques mais”. O filho pródigo voltou arrependido e foi
recebido pelo pai sem pedidos de desculpas. Se, por acaso, for encontrada
qualquer referência a respeito, há de se interpretá-la como descuido de
tradução.
Um arrependimento sincero
vale por mil pedidos de desculpas formais, com frequência, despidos de sinceridade.
Por muitos anos vigorou a tradução na língua
Portuguesa: “Perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos nossos
devedores”, levando à esdruxula interpretação de perdão de dívidas materiais. A
versão atual é a emenda do soneto com a repetição do mesmo erro. Jesus,
certamente, não ´pretendeu falar de tais dívidas, do contrário, seria a
canonização da negação dos impostos, tão a gosto dos
corruptos, inclusive,
do sacramentado dízimo cobrado pelas igrejas.
______________________
(*) In Humberto Rohden, A metafísica do
Cristianismo - A alma de Jesus revelada no Pai Nosso. Ed. Martin Claret.
BSB,
05 de agosto de 2016.
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