terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Advertência

Diante do estourar de constantes manifestações desconexas que pipocam Brasil afora, provocadas pela caótica situação que assola a nação, a sorte do governo é a desunião do povo brasileiro, consequência da falta de uma liderança efetiva para enlaçar as reivindicações sob uma única bandeira que, torça-se, seja a da Ordem e do Progresso. Se cuide o governo para que tal liderança não venha a cair nas mãos de elementos espúrios que, com segundas intenções, conduza o Brasil para uma convulsão social.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Eduardo Cunha

Tem toda a razão o ministro Jaques Wagner ao proclamar que o presidente da Câmara Eduardo Cunha “é um cara determinado”. Apesar de cercado de lama por todos os lados, consegue sobrevive nadando na superfície da politicagem que domina as instituições governamentais com tiradas desnorteantes comprovando que “jogo politico é para profissionais”. Com a experiência de seu longo estágio político, sabe jogar peteca com as duas mãos, dando uma na cangalha e outra no lombo do burro, desnorteando seus adversários. Imagine-se Eduardo Cunha na presidência da República, com a sede de poder já saciada, possuído de tamanha determinação, desde que regado de boas intenções, despido de interesses pessoas, visando, unicamente, a salvação do Brasil!

Otimismo

O otimismo é uma arma poderosíssima para vencer na vida. Poucos, porém, sabem utiliza-la adequadamente. O exemplo vem do humilde jogador de futebol do modesto time Goianésia de Goiás, Wendell Lira. Ao agradecer a honraria pelo mais belo gol do futebol mundial, conferido pela FIFA, deixou a seguinte mensagem bíblica: “Quando Golias apareceu disseram: ‘ele é muito forte, grande, não tem como ganhar dele'. Davi disse: 'Ele é muito grande, não tem como não acertar ele”.

domingo, 10 de janeiro de 2016

Parecer fajuto

Para quem acompanhou com atenção a sessão do Supremo Tribunal Federal em que o ministro Luiz Barroso anulou a eleição da Comissão especial que respaldou autorização de instauração do processo de impeachment da presidente Dilma, ficou clara a má fé, incidindo em vergonhosa fraude, ao pretender provar a inexistência de prescrição do voto secreto no Regimento Interno da casa. Ao ler textualmente o inciso III do Art. 188 do Regimento Interno, tentando, ardilosamente, provar sua tese, acintosamente, truncou o inciso eliminando a última expressão ... e nas demais eleições, que autoriza a eleição secreta. Por cúmulo de cinismo, ou, na melhor das hipóteses, por falha de memória, afirmou que no caso do ex-presidente Fernando Collor a votação teria sido de forma aberta quando, na realidade, foi secreta, circunstância que, inclusive, cria jurisprudência. Estranho que nenhum dos demais ministros presentes não tenha percebido a manobra do colega, ou fingido não ser percebido, aceitando a anulação da eleição da Comissão levando a questão do impeachment à estaca zero. Simples corporativismo ou intenção de impedir que a presidente seja investigada dentro do que a Constituição prescreve? É bom que se observe que a ação do ministro, com o apoio dos demais membros do colegiado, indica indevida intromissão de um poder, representado pelo STF, nas competências de outro, representado pela Câmara Federal. Em nome da independência dos poderes, a corte suprema não poderia ter interferido, desde que o presidente da casa agiu, estritamente, dentro de competência que lhe é garantida pela Constituição. De roldão, o STF levou a harmonia para o fundo do brejo, o pântano da corrupção.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

É conversando que não se entende.

A conversa da presidente Dilma desta semana com os jornalistas foi a demonstração cabal da falta de preparo à frente de um governo sem rumo. Discurso vazio, cheio de colocações desconexas, sem sentido, semeadas de abobrinhas, não dizendo coisa com coisa. Discurso de quem tenta se esconder por detrás de temas que não domina, dizendo disparates como ao afirmar sobre a intenção, não disse de quem, de pretender mudar o passado, não percebendo que o passado não se muda, apenas, tenta-se esclarecê-lo para entendê-lo. Foi uma tentativa simplória de enganar um auditório de tarimbados jornalistas que, apesar de tudo e como de costume, souberam manter-se respeitosos, certamente, com um sorriso travesso sob os bigodes.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Lá e aqui

Na Venezuela os execrados lideres que outrora tentaram afundar o país na lama da corrupção em direção à ditadura, sendo representados por vistosos outdoors enfeitando as repartições públicas, hoje estão vendo suas representações arrastadas pelos corredores em direção aos porões da História para serem esquecidos. No Brasil, lideres de mesma espécie, estão sendo representados por bonecos e pichulecos inflados sendo carregados pelas ruas e praças pelo povo para jamais serem esquecidos e repetidos.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Quem é Deus?

No tempo de crianças, essa era a primeira pergunta que éramos  levados a responder  quando decorávamos, como papagaios,  o Catecismo Católico. E a resposta pomposa era, sempre, a mesma: “Deus é um puro espírito Criador do Céu e da Terra”. Seria taxado de herege quem mudasse uma palavra, mesmo que fosse, apenas, o tempo do verbo: Seria Deus um puro espírito... não dando  margem a qualquer dúvida.
Durante séculos, eminentes filósofos cristãos e não cristãos tentaram mudar essa definição, esbarrando sempre em não menos eminentes teólogos brandindo, em nome da Fé, a afiada espada do “anatema sit”, a exemplo do culto e intransigente Ratzinger, para lembrar, apenas, o último que, espera-se, tenha sido o derradeiro.
 Depois que a Ciência proclamou a independência, deixando de ser a “ancila fídei”, notadamente a partir da Idade Moderna, as pesquisas se intensificaram em busca da explicação da origem do Universo, quem sabe, o caminho para encontrar a verdadeira definição da Divindade.  Por mais que os poderosos telescópios, porém, tentem alcançar os limites desse misterioso Universo, parece que, em sentido contrário, a definição  da Divindade torna-se cada vez mais distante. Vem aí a teoria quântica, com a multiplicação de universos, distanciando, ainda mais, tal possibilidade.
O filósofo Giordano Bruno deu grande passo ao advogar a infinitude do Universo. O fogo da inquisição, porém, ao queimá-lo vivo, pretendeu reduziu a cinzas sua teoria. Com o reconhecimento da infinitude do Universo seria mais fácil conceber a Divindade, equivocadamente, expressa sob mil formas por outras tantas crenças.
Como já se afirmou noutra circunstância, a indefinição do mistério da origem do Universo será eterna justificando a existência da razão humana, ou de qualquer outro ser, por acaso existente com semelhante prerrogativa, cujo deleite é a procura da verdade que se esconde por detrás de tantas maravilhas que a tecnologia vai revelando sem, jamais chegar a qualquer limite tendo em vista que tal limite, tudo indica, não existe.
Diante de tantas maravilhas do Universo, haveria quem, em sã consciência, pudesse classificar alguém como ateu? Quando o velho sacerdote se aproximou do profeta de Gibran Kalil  e pediu  - “Fala-nos da religião”, ele começou a falar: “Tenho eu falado de oura coisa hoje?  Não é a religião todas as nossas ações e reflexões?... Quem pode separar sua fé de suas ações, ou sua crença de seus afazeres?”
Como dizer que um filósofo, um cientista, um pesquisador ou, ate,  um simples pensador, é ateu enquanto tenta penetrar a verdade do Universo?  Suma covardia seria o ser inteligente render-se a formulações mitológicas quando tem o instrumento da razão para ir além em busca da verdade tentando liberta-la de invólucros que escondem seu esplendor.
Para atender exigências de culturas circunscritas por dimensões materiais, na tentativa de explicar o Universo, não haveria outra saída para os mitólogos de épocas remotas, que se perdem na História a Humanidade, senão expressar as verdades por meio de concepções materialistas humanizadas e, até, brutalizadas, revestindo-as com aparências perceptíveis para povos despidos da dimensão espiritual, contaminados pela concepção heterônoma que comportaria dois mundos, um material, o terreno, onde habita, provisoriamente, o ser humano, e o espiritual, habitado por gloriosa coorte celestial, onde aportará um dia para sua estabilização final.

 Em resumo, seja qual for a denominação de Deus, independente das diversas tendências religiosas, seria impróprio reduzi-lo a formas personalizadas, ainda que fosse à imagem de um ser humano, sob a qual se apresenta incapaz de reger o Universo, incompetente, injusto, desleixado, nada previdente, nem mesmo , compassivo. Foi a semelhante Deus, coincidentemente, o seu Deus, o Deus dos cristãos, a quem o papa alemão Bento XVI se referiu ao visitar o campo de concentração nazista de Auschwitz, não se contendo diante de tanta perversidade, advertindo-o, à revelia da fé que sempre lhe devotou, com a indagação: “Porque silenciaste?”